A Espiritualidade de Deus

A Espiritualidade de Deus

A ESPIRITUALIDADE DE DEUS


Deus é um ser espiritual, puríssimo e infinito. Por ele ser espírito significa que ele não possui natureza corpórea como os homens, e que não há nele mistura alguma com o que é físico ou material.
É importantíssimo Deus ser um ente espiritual puríssimo. Pois se Deus não fosse um ser espiritual, ele não poderia ser Criador, Infinito, Independente, Imutável, Onipresente, Perfeito.
Uma das características da espiritualidade de Deus é ser Invisível, Imortal e Simples. Ele não somente é invisível, mas também é imperceptível aos nossos sentidos, ao contrário do vento. Os sentidos humanos são incapazes de perceber-lo, a menos que ele se comunique com os seres humanos e se faça perceptível. Ele é imortal. Ele é a origem de todas as coisas e a vida está nele. A vida é essencial em Deus. Se Ele morresse, Ele perderia a sua própria essência. E por simples, queremos dizer sem partes componentes. Isso significa dizer que a essência de Deus é indivisível. A simplicidade é resultado direto do fato de Deus ser um espírito puríssimo e eterno. Tudo o que tem começo e fim é composto, mas Deus é eterno e, por isso, simples, sem partes componentes.
Diante disso, espiritualidade de Deus obriga-nos a curvarmos diante da sua invisibilidade, imortalidade e simplicidade para pedir-lhe clemência, perdão e graça sobre graça, para que continuemos a existir como seres visíveis, mortais e compostos e, portanto, finitos.


O SER DE DEUS E OS SEUS ATRIBUTOS, pp 172-178

 

 
mulher usando máscara para sair

Máscaras, mentiras e caras limpas

Recentemente, pedi que nosso funcionário passasse na padaria para comprar pão, e quando ele não o fez, explicou :
-- Não me deixaram entrar porque eu estava sem máscara. Eu disse:
-- Mas tem de usar a máscara sempre que estiver em público.
Ele é bom funcionário, e sempre que vai nos entregar alguma coisa, passa álcool nas mãos e nos objetos, e atende à explicação de Wadislau de manter distanciamento social e não tocar em nós que corremos risco de contágio em tempos de pandemia. Mas insistiu:
-- Eu não uso máscara, não gosto e não tenho. Eu fico sem comer o dia todo, faço oração, e pelo poder de Deus, não vou pegar essa doença.
-- Mas é lei no momento. Não podemos chegar perto de outras pessoas sem proteção; isso protege a nós e a eles.
Fiquei com vontade de citar "Não tentarás o Senhor teu Deus" e o "espinho na carne" de Paulo, ou mesmo dar umas explicações ao irmão em Cristo, enganado por uma falsa expectativa de que jejum e oração anulam qualquer possibilidade de risco à saúde, mas me calei. Apesar dos estudos dizerem que o uso de máscaras protetoras diminui em 70 por cento o risco de doenças transmitidas pelo ar, tem tantas discussões em torno de Covid 19 que não vale a pena começar a falar sobre o assunto. Dei a ele uma máscara e disse que se ele fosse buscar qualquer coisa para nós na cidade, teria de usar. Ele não foi mais buscar pão para nós.
Confesso que a questão do uso de máscaras, para mim, não é apenas por prevenção de respirar ar contaminado. Logo no início da quarentena, caiu uma prótese dentária provisória, e meu dentista não está atendendo. Estou com uma "janela" horrorosa na boca (a meu ver) que só vai ser consertada quando o implantista voltar -- e uma máscara me iguala aos poucos outros que chegam até aqui para nos ver, sem que vejam a boca deficiente que só seria motivo de orgulho se eu tivesse sete anos de idade. Uso a máscara.
Mas concordo que a máscara seja desconfortável, especialmente para quem dorme de c-pap e tem de usar mascara para respirar à noite.
Existem outras máscaras com funções diferentes. No teatro antigo, e em algumas peças infantis, máscaras eram usadas para definir ou encobrir a verdadeira identidade das personagens. Em festas de fantasias ingênuas da criançada, ou maliciosas do carnaval, muita importância é dada às máscaras. E, claro, quando alguém não quer ser identificado por sua vitima, o criminoso tradicionalmente esconde seu rosto verdadeiro com máscaras de todo tipo.
Quando temos todo o tempo em casa e pouco em que trabalhar, confesso que o uso das redes sociais tem sido um hábito e entretenimento constante. E observo o quanto as pessoas usam e abusam das máscaras.
Algumas pessoas usam as redes sociais como máscara para se apresentar belas ou jovens ou poderosas ou elegantes. Outras fazem biquinhos ou poses atrevidas ou exibem pessoas ou causas como muletas ou "provas" de superioridade.
Alguns postam acontecimentos históricos ou viagens turísticas ou fotos de pets ou sua prole, e isso é bom. Mas, há quem deixe de mostrar o que realmente vivem ou pensam. Eu gosto de cozinhar e sempre aproveito quando alguém publica alguma receita ou prato novo, viajo com quem viajou, gosto de história e de animais. Contudo, não creio que postagens que deem falsa ideia de quem somos sejam relevantes para a formação de amizade e crescimento pessoal. Devemos usar de parsimônia em tudo. Tem pessoas que fazem questão de demonstrar que são mais inteligentes, descoladas, politicamente antenadas, espirituais ou fisicamente atraentes (ou estão ligadas a personagens dessas naipes) quando por dentro estão gritando por socorro! Estou sozinho. Não gostam da vida que levam, e preferem viver em reinos de fantasia de qualquer lugar exceto onde realmente estão.
Ganhei uma camiseta dizendo "Que a sua vida seja tão maravilhosa quanto você finge que ela é no facebook". Tenho de admitir que muitas vezes a face que queremos mostrar no facebook é totalmente fake.
Essa verdade não é apenas no mundo secular e não cristão. Tem muitos crentes, mesmo líderes espirituais, que são fakes -- hipócritas. Nos tempos de Jesus, ele os chamava de "sepulcros caiados". Hoje em dia, criticamos quem pensa, age, ou publica em agendas diferentes da nossa, de falsos irmãos. Chegamos a afirmar que não são cristãos. Rotulamos e afirmamos categoricamente aquilo que não estudamos ou não conhecemos bem, e destacamos a grande diferença entre nós e "os outros". Ora, eu creio na Bíblia como Palavra de Deus, e na existência da Verdade Absoluta, mas confesso que fico estarrecida com as afirmativas e declarações de meus amigos facebookianos que tudo sabem e nada creem!
Lembro-me do caso de Moisés, que colocou uma "máscara" (um véu) no rosto porque não queria que as pessoas vissem que a glória do Senhor que era refletida nele estava desaparecendo. Recordo quantas vezes eu e meus colegas, filhos de Adão e filhas de Eva, em vez de sermos autênticos, usamos de subterfúgios, meias-verdades, reticências -- mascaras parciais ou inteiras -- em vez de refletir o caráter da imagem de Cristo em nós. Porque preferimos águas turvas de nossas próprias imagens caiadas, maquiadas, deturpadas, esculpidas sem arestas e sem a realidade da esperança em Cristo!
É apenas voltando para a Palavra de Deus e o Deus da Palavra que conseguimos refletir uma imagem nítida, sem máscaras:
"E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito (2Co 3.18).

Jó e a Pandemia

Jó e a Pandemia

Em certas horas, faremos bem em dizer o que é preciso e somente sobre um conhecimento que dominamos. Ao contrário disso, a molecada gosta de ser expert em tudo, e acaba metendo os pés na própria boca. Esse é o caso dos crescentes comentários sobre uma epidemia de gripe, exacerbados pelo acesso geral aos novos meios de comunicação. De repente, todo mundo é médico e jornalista. Benditos os verdadeiros doutores do corpo e os fiéis comunicadores da verdade, mas Deus me livre de ser repórter de bolso ou cientista de araque.

Deus me livre da peste e do desejo de ser relevante. Por que esse paralelo improvável? É para lembrar de não cair na tentação de usar a peste como púlpito para uma pregação pessoal. Não é hora de choro lírico nem de canto trágico, mas tempo de considerar a confiança no Pai celestial e a sua misericórdia para conosco. Deus permita que eu fale à alma segundo a Palavra a fim de produzir esperança em vez de causar ansiedade.

Em situações como a desse tipo de crise que se descortina, não será por acaso o surgimento de comparações com outras febres e gripes ou com peças literárias, como “A peste”, de Camus — e, especialmente diferenciada, com a revelação bíblica da história de Jó. No caso do Livro de Jó, o diabo desafia a Deus a provar a fidelidade do servo a quem o Senhor declarou justo. Jó era homem respeitado pelos juizes de sua terra e por seu povo, e Deus o chamou a participar de sua própria honra. De fato, o mesmo tecido social e a mesma costura individual, característicos dos males de grandes proporções, aparecem também na presente ameaça do coronavirus. Assim, antes de qualquer outra palavra, haveremos de considerar a soberania de Deus, sua fidelidade e sua bondade para conosco, em Cristo Jesus. Para isso, somos levados a lembrar que o Senhor tem sido o nosso Redentor, muitas vezes e em diferentes ocasiões.

Isso posto, observe como Deus trata com as questões mais profundas da motivação humana, na resposta de Jó. A sua alma estava aflita por causa de feridas e dores físicas. Estava cheia de espanto e ira em função de um humano senso de méritos e direitos próprios. Ele poderia, até mesmo, ter pensado: "Como um Deus bom permite tamanha maldade a alguém reconhecidamente justo?" Jó, contudo, curva-se ante a autoridade e a justiça do único Santo:
"Orna-te, pois, de excelência e grandeza, veste-te de majestade e de glória. Derrama as torrentes da tua ira e atenta para todo soberbo e abate-o. Olha para todo soberbo e humilha-o, calca aos pés os perversos no seu lugar" (40.10 a 12).

Adiante, no relato bíblico, chegamos ao ponto mais agudo da questão, quando Jó também diz:
"Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia. Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás. Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza" (42.2 a 6).

O que nós deveríamos aprender de Jó?

Primeiro, que Deus expôs a motivação de Jó. Ele permitiu que o seu justo (justificado) sentisse a angústia da aflição, a dúvida em relação ao critério divino, e o calor da reação humana, especialmente a estultícia humana. Não permitiu, porém, que o ser humano se exaltasse sobre o Criador e Senhor de todas as coisas. Segundo, Deus concedeu a Jó que experimentasse a extensão de seu plano redentor, a altura de seu amor e a presença fiel de seu cuidado.

Os “amigos” de Jó tinham muito a dizer, saído das entranhas do saber segundo o mundo, e o próprio Jó tinha muito a aprender, tal como nós também — coisas que somente se aprendem nas vitórias sobre as crises. O livro de Jó é escrito no ambiente da história maior do que a de uma vida saudável e próspera ou uma de guerras e pestes. Deus revela-se como o Senhor e Redentor do indivíduo e, por meio dele, comunica a sua salvação à sociedade em que ele vive.

No começo do livro, Jó orava por seus filhos para que não pecassem. Depois de sofrer dores do corpo e da alma, e de compreender a sabedoria de Deus — seu plano, sua bondade e seu governo — Jó abandonou a ira e a lamentação, e orou por seus companheiros, e:
"Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra. Então, vieram a ele todos os seus irmãos, e todas as suas irmãs, e todos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele em sua casa, e se condoeram dele, e o consolaram de todo o mal que o Senhor lhe havia enviado; cada um lhe deu dinheiro e um anel de ouro. Assim, abençoou o Senhor o último estado de Jó mais do que o primeiro" (42.10 a 12).

Disponhamo-nos, portanto, a ouvir a Palavra de Deus mais do que a dos homens ou a dos nossos sentimentos; e falemos mais com Deus sobre nossas dores e as do nosso próximo do que gostamos de falar a todo mundo. Atentemos aos que reconhecemos como sábios e verdadeiros, e desprezemos o surto de besteiras que sempre acompanham as grandes crises. Principalmente, confiemos em Deus e a ele confiemos as nossas ansiedades.

 

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